quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Gravação: entenda o General MIDI em 5 passos

Em minha última postagem. falei sobre VSTi e usei muito o termo
MIDI. Para quem é tecladista não é mistério nenhum o que é isso, mas para quem não é pode ter surgido algumas dúvidas. Então nessa postagem vamos explicar o que é esse sistema, de uma maneira fácil, direta e compreensiva.

1.O que é MIDI?
É a sigla para Musical Instrument Digital Interface(algo traduzido como Interface Musical de Instrumento Digital)é uma norma técnica que descreve um protocolo, interface digital e conectores e permite a conexão e a comunicação entre uma grande variedade de instrumentos musicais eletrônicos, computadores e outros dispositivos relacionados.Uma única ligação MIDI pode carregar até dezesseis canais de informação, cada um dos quais pode ser encaminhado para um dispositivo separado.
https://midipress.files.wordpress.com/2008/01/general-midi-logo.jpgEsse protocolo pode ser usado para enviar "coordenadas" (como programas e presets) para um instrumento com entrada/saída midi mas tem como principal vetor a capacidade de "sintetizar" outros instrumentos através de 16 canais digitais distintos.
Antigamente nos primórdios do sintetizador esse protocolo era usado para o mesmo enviar suas "simulações" de instrumentos para o chip do mesmo ou partir de algo conectado no instrumento e foi assim praticamente durante a década de 1970 e 1980. Porém a medida que a simulaçõe começaram a melhorar, viu-se a necessidade de sinalizar a qualquer sintetizador quais os instrumentos básicos que o mesmo possuiria os "128 timbres padrões" e isso seria sua simulação de timbres inicial.


Um dos motivos para criação disso é que muitos programas de sintetizadores sempre simulavam instrumentos iguais como pianos, orgãos, baixos e bateria e assim os fabricantes viram a necessidade de criar uma "língua comum" a todos instrumentos que usavam MIDI. O que os músicos queriam era que um arquivo feito e salvo num sintetizador pude-se ler em outro sem ser do mesmo modelo ou fabricante. Então a Roland (a mais conhecida fabricante de sintetizadores) criou o GM (General MIDI) em 1982 e que só foi oficializado realmente em 1991 após vários testes.
Hoje em dia você encontra o GM em computadores, smartphones, tablets, videogames pois todos possuem um "chip" dedicado a MIDI que você conhece o mesmo pelo nome de "Wavetable Synth" (por exemplo no Windows é o tal do ""Microsoft GS Wavetable Synth") e não somente teclados (sintetizadores) como era uma vez.
http://www.commodorejohn.com/jupiter6.png
Jupiter 8 um dos primeiros GM
Nesse chip há 128 instrumentos "virtualizados" que permitem que possamos carregar, escutar e tocar pianos, guitarras, sopro usando somente um instrumento ao invésde toca-los separadamente. Claro que há algumas limitações que veremos a seguir.



2.Variações
O GM (General MIDI) era o protocolo comum de sintetização pois dele vinham os timbres. Muitos teclados da década de 1990 como o Korg M-1 e Korg 01/W e o Ensoniq TS 10/12 tinha timbres próprios e personalizados, mas seguiam sempre o padrão GM ou seja, quando você colocava uma SMF (Standar Midi File ou Arquivo MIDI) automaticamente eles reconheciam e tocavam as trilhas gravadas nas mesmas. Até hoje isso é um dos fatores predominantes num sintetizador: todos são GM o que diferencia eles é a capacidade de "simular" os instrumentos o mais próximos da realidade possível e isso também acontece com os plugins VSTi.
http://medias.audiofanzine.com/images/normal/yamaha-psr-630-915849.jpg
A Série 630 a primeira usar o XG
Porém os 128 instrumentos iniciais já não estavam sendo um bom "protocolo" inicial para alguns fabricantes. Pois eles achavam que deveria haver mais, principalmente na parte de "kits de bateria" e "efeitos especiais".
A Roland então fez sua própria regra chamada "GS" (General Sound) e a Yamaha fez o "XG" (Extend General MIDI) e com a junção de ambos protocolos criou-se o GM2 (General MIDI versão 2).  Porém vale lembrar que qualquer aparelho que lê arquivos MID ou SMF, também aceita ambos protocolos a menos que eles estejam em seu formato "nativo" original.

3.Formato de Arquivos
No princípio o primeiro formato foi o SMF (Standard Midi File) porém ele começou a dar alguns "bugs" em muitos sintetizadores. O principal deles era a bateria. Ele foi programado por padrão no canal 16, mas muitos teclados e módulos estavam mapeados a bateria no canal 10.
Se você (por exemplo) baixar um SMF lá do início da década de 90, tem grandes chances de no lugar da bateria escutar uma zoeira sem fim!
Então mudaram o formato do aquivo para MID, onde os Kits de bateria ficam no canal 10, que é usado até hoje. Porém, hoje é raro você encontrar um arquivo SMF com a bateria no canal 16 e mesmo que encontre, basta na DAW mudar o canal de 16 para 10 assim como se você abrir um arquivo XG que usa os kits de percussão (bumbo, caixa, tons) no canal 10 e os pratos e xipos no canal 9. Para deixar tudo igual, basta colocar ambos os canais no 10. Geralmente se você escutar num aparelho um arquivo MIDI por padrão o som será mais ou menos parecido com escutamos nessa DAW que toca a famosa música Let It be dos Beatles.




Claro que quanto melhor o teclado, o módulo ou o VSTi mais a música se apróxima dos instrumentos reais.

4.MIDI Playback
Muitos músicos usam o MIDI em suas gravações e apresentações. Por exemplo, se você que ir tocar num bar, mas só tem espaço pra um e que fazer um "playback" mais real geralmente pode se usar um teclado, módulo ou VSTi para fazer sua instrumentação, mixar em MP3, colocar num notebook, celular ou tablet e se apresentar como estivesse como uma banda completa.
Como no caso abaixo, onde a música Sweet Child O´Mine - Guns Roses onde foi usado para o playback da midi somente VSTi.




Esse é o

processo da MIDI Playback ou seja fazer com que um arquivo MIDI seja executado da maneira mais "real" possível. Quando é usado para gravar chamo isso de "Mascará MIDI" (conforme mostrado na postagem anterior) como por exemplo uma música que fiz chamada "Voltar a Viver".
Aqui eu fiz primeiramente a MIDI usando meu velho e fiel Yamaha 630 e depois passei "VSTi" nas trilhas para deixar o som mais próximo do real.




5.Limitações
Embora a midi tenha evoluído e muito nos últimos 10 anos, ainda há coisas para serem aperfeiçoadas embora outras dependam mesmo do modo
que se usa a mesma. Quanto mais o músico for intímo da tecnlogia e estudado, mais coisas legais ele consegue fazer. Me lembro uma vez que Steve Lukather (o guitarrista do Toto) falou que a MIDI ainda não foi explorada totalmente na guitarra porque ainda não tinha aparecido nenhum "Ed Van Halen" para usar o protocolo.
O fato é que até hoje embora tenha evoluído muito os timbres de MIDI/VSTi não temos um "emulador" de timbres de guitarra/violão que consigam imitar com precisão os movimentos da mão "rítmica" do instrumento, tais como palhetadas alternadas, tapping e sincopes. E assim como a guitarra, o baixo que usa "slap" também tem a mesma limitação.

6.Pequenas dicas
Para finalizar, vou falar sobre umas dicas que podem deixar um timbre midi, bem próximo ao timbre real, mesmo usando um sintetizador/emulador de baixa qualidade. Aconselho a você baixar um pequeno programa chamado Little Piano que usa todos os instrumentos GM do "Microsoft Wavetable", além da opção de criar bateria.

A)Casando o analógico e o MIDI
Muitas músicas soam "artificiais" (principalmente as independentes) porque quem grava não sabe definir "colar" o som MIDI nas demais pistas analógicas, como a voz.
Geralmente mandar "toda midi" numa só pista pode não ser uma boa escolha, pois você pode encontrar um instrumento que pode cobrir uma frequência analógica.
Para resolver isso o modo que eu uso (e muita gente também) é fazer todas as pistas separadas como se fosse uma "banda mesmo", da um ganho no "ar" (que as frequências entre 16 - 22 kHz)
e "colar" as frequências midi e analógicas usando um reverb. Pra entender melhor, basta escutar algumas bandas "synthpop" como Depeche Mode, Duran Duran e Alphaville, você pode fazer um estilo totalmente diferente delas, mas quando se usa midi/VSTi o princípio de mixagem é o mesmo.

B)Como fazer um timbre de sopro mais realista
Umas das coisas mais aperfeiçoadas no MIDI/VSTi é justamente a sessão de sopros.
Ela se divide em "Brass" (trumpete, trambone, sessão de metais, sintetizados), "Reed" (todos os tipos de sax, oboe, clarineta) e "Pipe" (todos os tipos de flautas) e na maioria das músicas (principalmente pop e rock) que você escuta sopro não é um músico e sim uma MIDI.
Claro que para se fazer um sopro bem feito não basta apenas você ter o timbre. tem que fazer uma combinação no teclado com dois recursos que ele possue:
o pitch bend e o modulation que apenas aparecem nos teclados mais caros (são aquelas duas pequenas alavancas que alteram as oitavas e o vibrato do timbre).
Se o teclado apenas possue o pitch bend , se você colocar atrás um pedal de liga/desliga (aqueles usados em cubo de guitarra) na saída pedal sustain você pode configurar a mesma
para ao invés de "sustentar" fazer a função do "vibrato", porém se o teclado é simples demais você não terá essa opção.
A lógica aqui é bem simples: quando você fizer uma nota, se o alcance da nota for de "meio tom" ou "um tom" ao invés de tocar na próxima tecla
(por exemplo de C para D) você usa o pitch bend . Se a nota ficar sustenda por um longo tempo (uma semibreve por exemplo) você acrescenta o controle de modulation .
Curiosamente os melhores "sopros" feitos em MIDI são justamente por músicos que tocam um instrumento de sopro e teclado, justamente por saber como a instrumentação funciona.
No caso se você escrever o sopro usando "piano roll" ou "partitura (staff)" a lógica deve ser a mesma, porém nesse caso você tem que definir onde vai o pitch e onde vai a modulação.
Particularmente quando componho um sopro em MIDI eu uso teclado ou uso o programa Guitar Pro
pois além de fazer "bend" e "modulação" você pode criar efeitos interessantes como faze um "bend" e "soltar" logo em seguida.

C)Como fazer guitarras e baixos mais realistas
Como explicado antes já que temos "limitação da mão rítmica" numa guitarra/violão/baixo, o melhor jeito então é saber onde colocar a mesma o problema é que primeiro não é fácil pois além de tocar esses instrumentos você também tem que tocar teclado. Se não toca teclado mas sabe mexer bem no Guitar Pro, Encore ou TuxGuitar você pode usar para simular  a mão rítimica as "pausas" e os "strum" (geralmente na tabulatura é indicado pelo "x") que é o de "abafamento" da mão do acorde.  O bom aqui não é usar o timbre do teclado, mas sim um VSTi como o Real Guitar/Strat/LP, Sugar Bytes Guitarrist, Telematic e usa-los juntamente com um  VST de guitarra como Guitar rig, Amplitube, Ignite AMPS e colocar numa "mascará midi" ou gravar "ao vivo" com um "controlador" MIDI.
Uma boa pedida é o Guitar PRO 6 completo (com seus soundsbank) pois ele simula as duas maiores guitarras da história (Stratocaster e Les Paul) e uma variedade de amplificadores
e efeitos.

D)Evite fazer baterias do tipo "polvo"
Acredite ou não quem faz uma bateria "MIDI" bem realista é tão requisitado nos estúdios quanto quem sabe mexer em Autotune ou Melodyne.
Isso porque que faz esse tipo de bateria segue as regras de uma "bateria realista" e eles são bateristas ou recebem dicas de um.  O poblema é que muitos ritmos MIDI (em teclado ou em programas) não seguem um principio básico da bateria: a estrutura física do baterista.
Por exemplo, numa virada o bateristas precisa usar as duas mãos para atacar os tons e o pé para atacar o bumbo (ou os dois quando há pedal duplo).
Se eles forem atacar o xipo, irão usar o movimento de "abrir e fechar" que o pedal do mesmo faz, porém é meio incomum isso em viradas mas pode ser feito.
Agora uma virada com pratos ou xipo aberto ou fechado é totalmente irreal! O cara teria que ter um dispositivo robótico ou ser um polvo!
Isso vale também para as demais peças da bateria e para a percussão.
Porém se você está fazendo uma bateria eletrônica (daquelas tipo dance ou BRock anos 80) daí você é quem sabe, pois está especificando que uma  máquina e não tentando imitar um humano!


Ótimas Gravações!

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