terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Gravação: 10 questoes sobre "a quantidade de pistas"

Ótimo 2014!!!!

Como primeira postagem do ano irei falar sobre uma dúvida que costuma atingir quem "grava". Usar quanto canais? A algum limite? Isso é certo? Para tentar você ouvir "uma luz" vou colocar aqui 10 questões que podem ser úteis para você definir a "cara" do seu som!

Daw: A que você usa
Dificuldade: depende sua compreensão

01)Tudo começa na "produção"
Vamos supor que você gravasse um "rap" como você definiria as pistas? Possivelmente 5! Sim porque o que você vai precisar a mais? Uma pista para batida, uma para o baixo, uma para os arranjos, uma para voz e mais uma para os backing. Pronto! Mas será isso o correto? Possivelmente não.

http://diymusician.cdbaby.com/wp-content/uploads/2012/07/iStock_000003464984XSmall.jpgA medida que você começar a gravar vai pensar em fazer uma "dobra" na voz ou até que sabe em fazer um "chorus" da mesma e aí você já aumenta de 5 para 9  pistas. Então você escuta mais um pouco e percebe que o "backing" podia ter uma voz feminina e que os arranjos poderiam ser do tipo "um brass no lado esquerdo" e um "sawlead no lado direito" então de 9 agora você tem 12 pistas e assim pode ficar até que você mude de ideia....
Isso é a coisa mas normal numa sessão de gravação "aumentar ou diminuir os canais". Me lembro de uma entrevista que o guitarrista Steve Lukather deu para a revista "Guitar World" sobre um CD que ele gravou sobre o natal (Santametal de 2003) e na música "Joy the World"  com Eddie Van Halen (da banda Van Halen)  disse o seguinte: eu tinha 64 canais para usar e Eddie conseguiu encher todos! Quando disse para ele que "estava bom" ele simplesmente disse pra mim "posso fazer melhor" e eu disse "acho que vamos ter muito material para trabalhar com tudo isso"!  Em mais de 80% dos casos são assim você tem um número X mais acaba fazendo um número Y de pistas. E o que fazer com tudo isso? Simples, selecione as melhores!




02) As músicas "comerciais" gravam com cada vez mais canais para "destacar" as partes importantes.
Geralmente o que aparece para você na gravação são 16 canais (é só contar a quantidade de instrumentos da música), porém antes de chegar a esse número podemos ter "várias dobras" para dar destaque a um instrumento, porém hoje dia isso é mais usado para voz.
Se você reparar o "heavy metal" as dobras são feitas para as guitarras e geralmente a o resto é bem "compressado", já num "eletropop" há poucas pistas "rítmicas" e muito mais dobras nas vozes além de efeitos nas mesma. Eu sou totalmente a favor da "dobra" pois ela funciona muitas vezes melhor que o compressor sem contar que uma coisa "compressada demais" distorce com facilidade porém você deve saber fazer isso (nessa postagem há dicas para isso).  Geralmente o que é "dobrado" se destaca mais na música, porém não pode haver "inversão ou falhas de fase" pois uma coisa pode anular a outra!

A coisa mais comum é ouvir certas músicas hoje em dia uma música comercial e automaticamente deduzimos que são poucas pistas, foram gravadas num estúdio limpo, uso abusivo de plugins e com bastante compressão! Porém  esses dias um professor de música comentou em seu facebook que sempre falava que as bandas como Led Zeppelin gravam somente com poucos canais e que esse artistas estão gravando com um "número absurdo" de canais. Então vamos "ouvir" e tirar nossa conclusões? Simples basta ouvir esses 5 sucessos do "pop internacional" que separei para você analisar comigo somente a voz.

Simon and Garfunkel - Mrs. Robinson  (1968)

As pessoas gostam de "arrotar" sobre simplicidade na produção, então esse é o mais "básico" que uma produção oferece. Veja que nem sabemos ao certo se foi "compressado" a gravação de tão simples que está o processo e nem se o reverb é "natural" (gravado num ambiente aberto) ou de "mola". Não há dobras, apenas a voz principal com a quinta voz. A maioria das produções "caseiras" que ouço tem essa cara!


  
Michael Jackson -Don't Stop 'til You Get Enough  (1979)

O primeiro disco solo da carreira cantor há dobras "singelas" no vocal e sim mais efeitos e compressão. O fato é que Michael fazia aqui dobras naturais com sua voz  (ou seja cantar uma pista uma oitava abaixo e outra uma oitava acima e talvez até a terceira) além do backing vocal.


 
 Milly  Vanilli - Girl I'm Gonna Miss You.  (1989)

Possivelmente os músicos "sacaram" de cara que essa dupla era uma farsa, porque olhe a "quantidade de dobras" na voz principal, quase parece alguém cantando com o "harmonizer"! Claro que não era pois eram cantores profissionais (e muito bons) que cantavam. Uma coisa que a música destaca que ao invés "do típico" exagero de "reverb com delay" dos anos 80 para duplicar a voz aqui está quase nulo que é uma das caracteristicas da dobra da voz, pois destaca a voz sem precisar exagerar em efeitos 




Britney Spears - Baby one more time (1999)

Quando surgiu a nova safra de "popstar" também surgiram novas técnicas. O tradicional "pitch -12/+12" para "cada lado" deu lugar ao inovador "autotune". Essa música a "voz duplicadas" de todas as maneiras (voz seca, com pitch, com reverb) só resta saber se elas foram "gravadas uma a uma" ou só foi só gravada a "voz principal" e seguido "duplicadas" as pistas a partir da primeira.






Demi Lovato - Neon Lights (2013)

Uma coisa que você  pode notar nessa música que os "pontos de respiração" não acompanham o "andamento da música" (na minha opinião "pontos de respiração" estragam a música" embora muitos digam que é "feeling" do cantor) então ou é assim mesmo ou a voz principal vem de "cortes" de outras vozes (uma coisa bem comum hoje em dia). Pra quem não entendeu o que é um voz duplicada várias vezes essa música mostra bem.






03) As vantagens e desvantagens de uma gravação.

Pouca pista
Prós: muito mais fácil de mixar pois exige bem menos ajustes na equalização. Ao compressar a música fica bem "na cara".

Contras: dependendo o estilo a música ficará "morta", vocais precisam de uma "dose certa" de reverb para se destacar.

Com muitas pistas
Prós:sua criatividade em riffs e arranjos pode ser posta a prova, duplicação de pistas podem destacar o que você quiser, você pode destacar as pistas que não vai usar e guarda-las para aproveitar no futuro. Dá para fazer um "colcha de retalhos" ou seja gravar partes rítimicas e da voz somente em "trechos" para juntar depois em uma pista só.

Contras:difícil de equalizar, se o pan não ficar "correto" mata o campo estéreo, as fases tem que estar corretas. Para ficar na "cara" pode se necessários muitas sessões de mixagem.

04)Mono ou estéreo?

Isso é uma questão pessoal. Mas quando eu gravo com pouco pistas deixo tudo estéreo. Se gravo com muitas "mesclo" tudo entre mono/estéreo, porém muitas vezes é legal gravar duas pistas monos e depois num "render" deixar as mesmas em estéreo.


05)Renderização
Quando se grava com muitas pistas, muitas vezes é interessantes "deixar e um arquivo" as pistas duplicadas para "poupar CPU" e evitar os degradáveis "dropout" (travamento do computador), a menos que seu computador seja muito bom e não há problema com isso.

06)Cama
A um truque muito usado quando se quer poupar canais, e dar uma "outra cor" a música chamado "cama". Como o nome já diz é fazer "uma cama sonora" para o som "deitar" e geralmente é feita com sintetizadores (strings, synbrass, polychord são os efeito preferidos) e mesmo com "um volume baixo" ela dá consistência a música como essas duas músicas abaixo:

Faith no More -  From Out Nowhere (1990)
Nessa música além das estrepolias vocais de "Mike Patton"   temos um casamento e sincronia perfeitas ente o baixo, guitarra pesada e sintetizador (usando o patch strings)  sem contar a pancada da bateria.





Coldplay - Paradise (2011)
Essa banda sempre usa "cama" em todas as canções seja com piano, strings ou polychord. O resultado um casamento perfeito entre as partes rítmicas e vocal tenor.




Guitarras podem ser usadas como camas também, geralmente as com distorção ou limpas com bastante "reverb+delay+modulação" porém geralmente são usadas juntamente com o ritmo da música e colocadas mais no fundo. Muitas vezes são só dedilhadas ou palhetadas somente para segurar o andamento da músico e se transformam na hora do refrão isso é muito comum no rock n´roll. Como na clássica Não sei da banda gaúcha TNT.
 



07)Arranjos contínuos
Porém ao invés da cama você pode usar um "riff" ou um arranjo que dure a música inteira como essas no exemplo abaixo:

Kate Perry - Last Friday Nigth (2012)

Arranjo contínuo: sintetizador duplicado e loop de guitarra.




Dire Straits - Money For Nothing (1985)
Cama: sintetizador


Arranjo contínuo: a guitarra da introdução.





Capital Cities - Kangaroo Court (2013)

Arranjo contínuo: sintetizador usando arpejos.

note que os arranjos duram a música inteira não importa seu andamento.





08)Como facilitar as gravações em vários canais
Se for quiser gravar "vários canais" rapidamente sem precisar fazer dobras porém sem fazer também "duplicações" basta gravar em estéreo  e numa pista gravar o canal direito e em outra o esquerdo independentes.

09)Gravar com mais ou menos canais irá mudar minha música?
Depende. Algumas músicas melhoram colocando mais coisas, outras melhoram tirando algumas coisas. Vai muito do que você está fazendo. Por exemplo, se você gravar um rock estilo "Nirvana" 8 canais são suficientes (a menos que queira duplicar), agora se quer gravar um Gun´s Roses irá precisar de uns 16. Se você quiser gravar um sertanejo no estilo "Victor e Leo"  8 pistas também é suficiente, mas se quiser gravar ao estilo "Zezé di Camargo e Luciano" possivelmente 24!Porém embora a maioria das DAW/Mixer possam gravar em vários canais, a maioria prefere manter no máximo até 16.

10) Não torça o nariz para a "tecnologia" como faz a maioria! 
 Os produtores sempre apelam para ela e hoje em dia não importa a banda, cantor ou estilo, todo mundo se beneficia com avanços tecnológicos musicais!

 
Espero que essas dicas lhe deem algumas ideias. Lembre-se:  produza!Escreva no papel o que você quer que sua música tenha! Depois grave e vá tirando ou colocando canais conforme sua música nasce!!!

Ótimas gravações!!!

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