quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Gravação: dicas para gravar guitarras distorcidas em casa

http://tightmixblog.com/wp-content/uploads/2010/03/recording-guitar.jpgSem dúvida para qualquer guitarrista nada mais atraí que tocar um rock, hard ou heavy e mesmo assim quem não gosta ou prefere outro estilo cedo ou mais tarde sempre apela para um "solo shared" ou uma "base powerchord" para dar mais gás na música. Porém a realidade para muitos é diferente, pois não é todos nesse país que possue um "half stack Marshall" em casa (a maioria mal tem uma pedaleira profissional como a Boss GT100)  e até "sacanagem" quando vemos esse vídeos americanos mostrando o cara gravando "em casa" com um Peavey 6550. Mas não se desespere!!! Pra quem tem um bom equipamento ou um equipamento simples, vamos algumas dicas para gravar uma guitarra "distorcida".

Dificuldade: depende seu grau de interpretação....
DAW: A que você está habituada a usar....

Timbre: uma questão de gosto pessoal
Pra mim o sonho de todo guitarrista é um timbre como o de Slash em Sweet Child o´mine (Marshall JCM800), ou a pancada de quebrar "ossos" de Master of the Pupppets do Mettallica  (Mesa Boogie Dual), ou ainda o som "cristalino" de Andy Summers em "Every breath you take" (Roland Jazz Chorus) ou quem sabe o som "pirotécnico" de Ed Van Halen em "Poundcake" (Peavey 5150). Enfim o timbre é um gosto bem pessoal. O problema é que como muitas vezes não dispõe ainda do "equipamento dos nossos sonhos" temos que tentar chegar a um bom timbre com que temos. Na minha opinião uma boa distorção é aquela que consegue fazer um acorde tetráde (como um Cmaj7.9 ou Bm7b5) com "compreensão". Porém o que vale  pena lembrar é que não adianta uma "ótima distorção" com uma "péssima captação"!

Frequências das guitarras distorcidas.


20-45Hz.
Nunca é usado, nem raramente
50-90hz
Faixa de balance
100-150
Base do som
180-240
“centro grave” do som
250-320
“centro agudo” do som
340-650
Controle dos médios. É lugar mais complicado para mexer
700-900
Exagerado pode ser torna uma “tortura para o ouvido”
950-1.2k
Fácil de ouvir mas difícil de controlar
1.3k-1.6k
Idem acima.
1.7k-2.2k
Topo dos “médios” ataque da palheta.
2.3k-3.1k
Meio dos “médios” destaca a plaheta
3.2k-4.2k
Final da palheta, muito usada.
4.3k-6.5k
Inicio do fuzzy (som de abelha)
6.6k-8k.
Topo do fuzzy
8k-10k
Depende o estilo. Pode destacar ou embolar.
10-15k
Final das frequencias.
15k-25k
Nunca é usado, talvez raramente
 

 Por exemplo, vamos supor que você use um equalizador paramétrico em Q. O final “hi self” dele seria em torno de 7-9k e o final “low self” entre 50-90 Hz. Coloca-se um “notch” em 130-240 Hz (do tipo aberto ou fechado), coloca-se um “Bell” em 300 Hz, e corta-se em 6k. Outro método: Usar 100-150hz narrow, “hi-pass” em 50hz, “narrow cut” em 280-380hz (diminui a irritação causada pelo médio grave), “narrow boost” em 900-1.2k(deve se experimentar) e mais alguma coisa perto de 2.5k também em “narrow”. A maioria das pessoas quando gravam distorção esquecem que além da distorção do amp/pedal, você tem ainda a distorção do pré-amp, da compressão ou de outro dispositivo de ganho, por isso em distorção “menos é mais”. 


Guitarras gravadas diretas em linha

A)Overdrive vs Distortion vs Fuzz 
A distorção é uma "mudança radical na onda". Quando o som é limpo as ondas sonoras se movem em "S" como uma cobra. Quando o som é distorcido ela se movem em "Z".  Dependendo o tipo da distorção ela transformará o sinal limpo em algo novo.

Overdrive
É distorção básica e mais usada em todos os estilos (particularmente a minha preferida). Ela é encontrada nos pedais como Ibanez Tube Scream, Boss Overdrive OD3, Boss Bluesdrive ou Onner Drivemaster. Nos amplificadores tem na maioria como Marshall JCM800, Fender Princeton ou Orange AD30. A principal característica dele é que ele distorce o som limpo de forma "suave e natural" aumentando gradativamente "do crunch ao lead", ou seja deformando a onda com granulação.


Distortion
Ao contrário do "overdrive" essa distorção se transforma em "serra" (Z) sem granulação nenhuma.
Ele seria o "pós overdrive" (ou seja acima do drive) e só funciona com sons pesados ou lead (poucos funcionam em crunch). Ela é encontrada nos pedais como  Boss Metal Zone MT2, Rocktron Angel ou Boss DS-1. Nos amplificadores são famosos o Mesa Boggie Dual Retificier, Peavey 5150 e Randall Dimebag.



Fuzz
Pra mim é a mais "agressiva" das distorções (não de peso e sim de doer no ouvido mesmo) além de ser a mais "rebelde". Ela é  mundialmente conhecida por ser usada na introdução de "Satisfaction" do Rolling Stones e também combinação "motal" de Jimi Hendrix: Marshall Plexi + Fuzzface. Ela simploriamente "destrói" a onda do som original a transformando numa espécie de "M".O Fuzz expele muito mais "harmônicos" que uma distorção normal. Os pedais mais famosos são o Boss Fuzz, Dunlop Fuzz Face e (o meu preferido) Eletro harmonix Big Muff.




B)Nos pedais prefira usar baterias de 9V pois elas ficam livres de ruídos elétricos.  
Isso vem de muito músicos americanos como Eric Johnson. A explicação é que pedais ligados om bateria estão "livres" de qualquer ruído. Porém não ouvi diferença entre um pedal com bateria e um com um adaptador de marca (como Landscape, Onner, Boss) e por isso cabe você a testar e decidir.


C)Aquecendo o som
A coisa mais importante pra se gravar é deixar tudo "quente" ou seja perto da faixa dos - 3dB.A forma mais comum de ampliar som da guitarra é o amplificador, porém hoje em dia muitas pedaleiras gravam "vai USB" quente e sem ruídos. Outras maneiras seriam colocar uma mesa de som, um pré-amp, equalizador ou ainda uma potência.


D)Intercalando 2 distorções.
Embora isso não seja muito comum, pode ser usado também. Geralmente guitarristas de rock usam um overdrive na seguinte configuração: Level 10 Tone 7 e Drive 3 como "boost" quando estão usando a distorção do amplificador para empurrar a mesma pra frente.  Depende como você configurar ela subistue  o "compressor" (fica parecendo uma combinação de compressor mais uma distorção leve), porém somente você testando para descobrir. Esse vídeo abaixo demonstra a técnica.



Ligando 2 distorções separadas:





1) A guitarra é ligada com um "Cabo Y" nos pedais;
2) No lado esquerdo vai o "overdrive" no lado direito o "distortion";
3) São ligados os pedais nas entradas correspondentes ao seu lado;
4) Em seguida grava-se no computador.

Lógico que não precisa ser necessariamente "uma placa de som USB" pode ser por exemplo uma pedaleira ou um amplificador com dois canais.  Se você quiser gravar direto na "placa on board" do seu computador, vai ter que colocar um Cabo Y com 1 plugin P1 (que vai no computador) e 2 P10 (que vai nos pedais).  O uso de um D.I (direct box) é muito importante pois "previne ruídos" além de cortamos a potência gerada pelo ganho.  O resultado é um som mais "quente e firme" que fosse gravado direto do equipamentos, porém é opcional.

E)Simulador de falantes
Hoje dia pedaleiras simples como a Zoom G2, Behringer  X-Vamp ou  Digitech RP70 possuem simulação de "caixas" 1x12, 2x12, 4x10 e 4x12.  Uma boa simulação deixa nosso som "bem encorpado e forte", porém uma "mal usada" pode deixar o som "bem fechado"  numa gravação.  Novamente vai de você fazer testes.Na minha opinião essas simulações (mesmo as que usamos plugins) funcionam melhor gravadas "ao vivo" do que gravar e depois passar o plugin.
Por exemplo o Palmer PDI03 é usado até na voz quando o produtor que gravar uma voz mais "brilhosa".

F)Usando plugins.
Quando olhamos no "you tube" aquele plugin maravilhoso sendo usado por um guitarrista famoso temos vontade de "comprar" ou "baixar". Quando executamos ao vivo ele realmente bom, daí fazemos aquela velha "história" de gravar a guitarra "limpa" e passar o plugin. O resultado quase sempre é decepcionante e por isso a melhor maneira de gravar um plugin é "ao vivo". O problema é que isso pode ficar na "contra mão de muitos" pois essas as formas de gravar ele são "caras". Por exemplo: você pode gravar da seguinte forma:


Porém se você somar a placa USB (R$600) e o notebook (R$1000) você terá gastado R$1600!!!Ou seja mais caro que um Line 6 Pod Floor HD   que é considerada uma das melhores pedaleiras (com várias simulações) do mercado!  Por isso ainda há uma outra solução mais viável:



Nesse caso a guitarra se conecta ao "adaptador usb" (que pode ser M Audio Jamlb, Behringer Guitar Link) depois se conecta em "linha" a outra placa USB.Na DAW você configura no "plugin de guitarra" para o som sair no "adptador usb" e o som reproduzido no plugin saíra em "linh" para a outra "placa usb" ou para a placa "on board ou off board" de som da DAW. Esse é um método bem eficaz que garante resultados satisfatórios!!!De quebra, você abre mais uma pista e grava o som "limpo" do adaptador USB, podendo colocar outro plugin em cima. Muitas peladeiras também gravam em USB, podendo ser assim uma "alternativa" quando o "plugin" se transforma numa novela.


 Guitarras com amplificador usando microfone 

Gravar com amplificador microfonado  depende de alguns fatores como a sala onde está sendo gravado, o microfone (ou os microfones), a distância da sala,  a posição do microfone (se está na frente, atrás, no alto, fora de eixo). Esse vídeo por exemplo mostra 5 posições mais comuns de microfone.



Algumas dicas que podem te ajudar a microfonar um amplificador:

A)A melhor maneira de começar o som é ajustar o microfone no meio com o EQ flat.
"flat" significa deixar tudo na posição do meio na mesa, todas frequências. Escute primeiro o som guitarra e partir dele vá regulando até achar o som que quer. Muitas vezes deixar o Amplificador em "flat" e mexer só na mesa é uma boa pedida. Mas geralmente é contrário (regular o amplificador e gravar na mesa em flat). 

B)Fazer um “sweep” (mover o micrfone pelo falante) sempre deixa o som mais interessante.
Taí uma dica bem bacana... Se você não consegue achar o som ideal da guitarra, toque e peça para alguém "mover" o microfone ao redor do amplificador, indo pra frente e para trás enquanto você toca, até ouvir algo que te interessa. Normalmente o resultado é rápido. 


C)O primeiro controle a afetar um falante é sempre o MASTER.
Isso já comente nessa postagem.  O controle Master é o "regula" todos os outros controles e  por isso que muitos preferem mexer somente com o "gain" e diminuir o master ao usar distorção.Como mostra o vídeo abaixo


 A partir do momento que você mexer no "master" ele começara a "mudar" os timbre dos alto falantes. Você nunca notou que as "paredes" que você vê no show não é só enfeite? Cada stack há uma regulagem diferente. O problema que se ao reduzir o "master" e aumentar o "gain" você tem uma distorção "homogênea" por outro lado seu som fica baixo! Por isso é importante você ter um pré-amp:  para regular a diferença entre o "master e o gain" na entrada da DAW.

D)Por isso muitas vezes não é melhor ter um stack 4x12 e sim um combo 1x12 ou 2x12!
Essa é uma regra bem verdadeira. Não adianta ter uma caixa "stack" com 4 falantes ruins! Ela podem ser boas ao vivo, mas pra gravar... Pode ser um problema.... Já li em muito artigos guitarristas preferindo gravar em combos 1x12 ou 2x12 bem microfonados do que stacks... E se você estiver gravando em casa geralmente é a melhor opção.  Coloque um microfone tipo Shure SM57 no meio do falante a 16 Cm do mesmo. Coloque um outro com ângulo de 30° ou 35° desse microfone. Ele gravará melhor se estiver num “espaço separado” como um aquário (dica usar o banheiro ou armário funciona bem). Microfones "colados" funcionam bem stacks devido ao seu som ser mais bruto.


Muito bem!!Agora só me resta desejar você! Boas gravações!!!

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