quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Gravação – Som fraco? Dobre!

Ter um Home Studio muitas vezes é uma agonia sem fim.
Uma hora é porque você não tem os equipamentos necessários, a outra é porque não tem ambiente, a outra é porque falta produção, e a outra porque falta conhecimento e a verdade é que um "estúdio caseiro" sem ser projetado pelo "parâmetros" profissionais (ou seja calcular tudo para nada dar errado ) torna-se uma coisa "decepcionante" e por isso a maioria das gravações que fazemos é mais para "amostra" do que para comercialização (já vi muita gente boa desistir por causa da decepção). Porém ter um equipamento simples não signifique que você não possa fazer produções e idéias profissionalmente (não esqueça que o detalhe entre você e uma grande gravadora é sempre a produção, a execução, conhecimento e o equipamento) porém sair "gravando" sem ter o mínimo de conhecimento musical é um pouco de "loucura" (apesar que isso foi o diferencial das bandas punk dos anos 70). Nos anos 60 e 70 quando os equipamentos ainda estavam na fase de "aprimoração” surgiu uma idéia bem simples para fazer o som "ficar maior", a "dobra". Provavelmente você já leu em algum lugar sobre isso, fazer "dobras do no som" ou seja, "gravar um por cima do outro" a fim de "engordar" o mesmo. Quando a banda inglesa Queen gravou o albúm "Night at opera", Brian may falou na revista "Cover Guitarra" que eles fizeram "tantas dobras" que foram obrigados a colocar no disco "gravado sem o uso de sintetizadores" e o disco é magnífico. Agora você voltando para seu mundo como
pode fazer isso? É o que vou explicar.

1)A diferença entre "dobrar" e "clonar".
Dobrar é gravar o instrumento ou voz escutando como guia mesma coisa já gravada. Clonar (ou copiar) é pegar a pista que foi gravada colar na próxima pista e colocar algum efeito em cima.
Teoricamente hoje em dia você não precisa dobrar e só clonar mas pistas clonadas não funcionam como pistas dobradas e justamente porque uma dobra é diferente da original (devido ao fato de refazer algo manualmente muda o tipo de feeling) e porém é muito comum dobrar a pista usando equipamentos diferentes e efeitos (por exemplo, um reverb na esquerda e um delay na direita com dois equipamentos totalmente diferentes mas partindo de um único instrumento) que dá origem a fomosa ligação em Y o a famosa ligação Y+A+B (um cabo Y que vai para 2 divisores) E assim por diante. Algumas lendas dizem que famosos guitarristas chegaram a dobrar 24 vezes numa mesma gravação só para escolher os melhores timbres.

2)Camadas
A criação de camadas é algo bem interessante pois com ajustes certos ela faz com que seu som pareça mais real. Como sempre comento o som gravado nunca é o som real e por isso há processos para deixarmos próximos ao mesmo o ainda acrescentar um diferencial na música. Porém toda camada vai gerar conflito de fase e isso devido ao fato que todas elas serão gravadas de forma parecida e por isso aqui você deve usar com sabedoria efeitos e truques de pan e equalização. Camadas não significam somente “deixar o som grande".Ele pode ficar também sem espaço!

3)Efeitos que dobram
Muitas vezes já falei sobre delay, chorus e reverb e um dos motivos de eles serem efeitos primários (seja nos processadores, sintetizadores, mixer digitais e até amplificadores) são justamente porque reforçam o som. Usa-los com sabedoria é fazer com que sua gravação sobressaia sobre muitas.

4)O metrônomo.
Para você dobrar uma pista com precisão precisará sem dúvida do metrônomo para manter o tempo certo da dobra. Muita gente pode dizer: não preciso disso me oriento pela bateria, mas o que vai acontecer se sua gravação estiver "poluída demais" e você precisa dobrar a mesma pista somente escutando ela em solo?Sem metronomo fica difícil!Minha dica é você baixar ou comprar o método "Bona de teoria musical" que seguindo o mesmo com um metrônomo, logo você estará craque.

5) O analógico e o digital
Nem tudo que se dobra fica bom. Por exemplo, dobrar uma guitarra pesada é uma boa pois aumenta a presença da distorção no som se precisar de uma “tonelada” de ganho porém dobrar a voz pode ser boa ou não, pois ao invés de um som maior você terá um "chorus" (o certo é se for para dobrar colocar em tons diferentes seguindo a triade) e no mesmo caso a bateria, uma caixa dobrada é uma boa, mas um bumbo ou um xipo não. Porém se existe uma coisa em
que dobrar que faz diferença é resolver o "conflito" A/D sem precisar de conversor. Isso porque logicamente um DXi/VSTi (Instrumentos virtuais), samples e General Midi (vindo direto dos sintetizadores) trabalha com sons dobrados (passam por vários processos até chegar no seu estado final) por isso dobrar baixo, guitarra, violão e o vocal podem reduzir
drasticamente essa diferença entre o "O analógico e o digital". Um fato curioso da década de 80: como houve uma evolução geral nos equipamentos muitos engenheiros de som prefeririam duplicar uma pista do que dobrar e assim carregar no reverb. Porém perto de 1985 eles voltaram a dobrar pois viram que a distância entre o vocal e os instrumentos aumentaram demais. Isso fica bem claro nas músicas synthpop e eletrônicas entre 1981 a 1986.

6)Mãos a obra!
Lembrando que a gravação digital caseira tem apenas 23 anos e muito deles seguindo o que a gravação analógica ditava. Se contarmos a criação dos plugins DX, VST e RTAS e a introdução de estações puramente digitais, esse tempo cai para 15 anos e por isso vale a pena explorar tudo o que deixe sua gravação melhor, até as dobras!

Ótimas gravações!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A Composição (para refrletir)

Sei que prometi fazer postagens a cada 2 dias, porém ando dando uma descansada dos trabalhos. Hoje convido a você fazer uma reflexão sobre o é fazer uma música nesse belo texto que meu amigo Erler Gomes postou em seu Facebook esses dias. Semana que vem voltaremos (tentaremos) ao normal. Bom fim de semana!

A Composição.

Uma canção quando está nascendo, quando surge sua primeira faísca, traz consigo uma gama enorme de possibilidades. É um conjunto de sensacões, de idéias, que nem mesmo chegam a formar imagens, que ficam num terreno ainda mais abstrato do que o imagético.
Num segundo momento, algumas imagens se condensam, algumas idéias se organizam. Mas ainda resta uma porosidade, vasos comunicantes entre aquilo que começa a se desenhar e aquilo que ainda está em estado puro, sem limites, latente, caótico.

Quando a canção de fato começa a tomar forma poético musical, quando as notas e os fonemas se encontram nas frases formando sentidos, algo muito grande acontece, mas algo muito maior está se perdendo. Portanto fazer uma canção é um ato de sacrifício. Sacrificam-se as infinitas outras possibilidades em nome de algo que vai agir de forma funcional.
A canção vai parar no rádio e segue vaidosa e sedutora, arrastando quem lhe ouve como um Flautista de Hamelin. Mas, ingênua e egocêntrica, a canção finge ignorar que o grande manancial de onde ela veio lá permanece, imanente, indecifrável.
Por isso deixo muitas canções inacabadas. E as toco, de vez em quando, dessa forma, sem havê-las concluído, pois que assim conservam sua imensidão, mesmo que não consiga de fato vislumbrá-la em sua totalidade.

Assim também vejo a vida. As relações entre ego e self. Entre consciente e inconscinente.
Na vida também temos que fazer escolhas. Temos que sacrificar possibilidades em nome de um “caminho a seguir”. Por isso, às vezes, queria ser muitos, queria tomar o espaço tempo e multiplicá-lo e com ele multiplicar-me também

Dizem que guardamos em nós uma porção divina. E, se Deus é onipresente e onisciente, deve ser isso que acontece. Deve ser uma memória que essa particula guarda dentro de nós que gostaria de tudo ser e em tudo estar. A física quântica nos traz novas possibilidades de compreensão e de consciência. Em geral as pessoas acompanham os avanços da ciência como algo externo, material, que nos possibilita mais conforto, mais seguranca e prazer.
Mas algo se processa internamente na humanidade. E aí vou evocar Nietzsche mais uma vez: devemos pensar no além do homem, no super homem e deixarmos de nos comportar como meros primatas.

( Antonio Villeroy )

A melhor música que encaixa com isso tudo simplesmente é essa:



Bailes da vida foi a primeira música que toquei em público há exatamente 18 anos atrás...