segunda-feira, 27 de junho de 2011

Masterização: utilizando o sistema KH Master Multitrack – Parte 1

Pra começa a semana, vamos um truque simples para deixar todas as músicas no mesmo volume criado por mim. Não garanto a eficácia, pois não sei o que você está usando, o que posso dizer é que suas músicas (dependendo o gênero) terão entre 1% ou 2% de diferença de volume uma para outra se você souber usar “seu ouvido” e os “analisadores” de forma eficiente.

Por que as músicas não saem no mesmo volume?
Sinceramente, pra mim isso ainda é uma coisa a ser aprendida. Lendo livros eles falam muito do uso de equipamento, conversores A/D, D/D e salas brancas, porém pra quem tem um home studio ou um pequeno/médio estúdio não há como ter esse luxo. Leio muitos tópicos sobre o assunto, mas sinceramente os que usei tiveram quase nenhuma eficácia. Por isso concordo com muitos produtores “rígidos” sobre o assunto: um bom máster depende totalmente da mixagem e da qualidade da gravação. Se ela está bem feita, nem é preciso passar pelo processo.

Som fechado
O primeiro princípio que algo ocorreu de errado na mixagem ou até na gravação é a falta de naturalidade do som. Quando finalmente colocamos todas as trilhas da música numa pista só, todos nossos parâmetros de equalização, efeitos e compressão se juntarão formando a música que gravamos. Se os parmetros estiverem corretas você estará escutando clara, porém baixa para o padrão comercial, do contrário ela estará baixa e fechada. As causas dissos são sem dúvidas primeiramente o equipamento usado e segundo a conversão da placa de som. Caso você tenha isso de ponta, então o erro está na mixagem!

RMS: é uma dor de cabeça!
Você provavelmente já viu aquela história que um aparelho de som tem 1000 watts POMPS e apenas 30 RMS e isso também acontece na sua gravação, porém de uma outra maneira.
Você passou um compressor de 6:01 threshold/ratio, colocou o input em +2 db e o output em – 0.9 db e ainda tudo está distorcendo ao invés de estar alto e claro?
Isso é sinal que sua música tem volume, mas está quase sem nenhuma qualidade RMS. E novamente, como se consegue esse volume? Na gravação. As pessoas tem mania deixar se levar pelo “metter” da DAW ao invés de seus ouvidos. O metter indica a altura que está sendo gravado o som, mas não indica a qualidade do mesmo (não sei se há plugin para isso) ou seja, muitas vezes se você gravar em alta qualidade há – 6 db é muito melhor do que gravar com uma qualidade razoável há – 3 db. A qualidade no RMS é conseguido também com os cortes certos na equalização e ajustes corretos na compressão. Se você souber quais são os instrumentos mais altos e souber casar direito com os instrumentos mais baixos, pouca coisa muda na hora do máster.

Estilos diferentes, forças diferentes
A música pode ser medida em força. As passagens com mais densidades sempre são os graves, seguida dos médios (densidade média) e dos agudos (fraca densidade).Isso irá refletir de cara no nosso máster. Um truque bem simples é pegar o plugin DR-T Metter e analisar uma música rock, depois um metal, depois um sertanejo, depois um rap e depois uma balada romântica. Você irá notar de cara que os volumes e a dinâmica, variam de uma música para outra. Isso quer dizer, se você colocar elas num aparelho de som, dificilmente todas terão o mesmo volume. Isso acontece muito quando ouvimos uma rádio: daqui uma música está alta, daqui a pouco está baixa e quando você percebe é só mudar o estilo da música que o volume muda junto. Músicas com muitos instrumentos, sempre são sujeitas a serem mais baixas que músicas com pouco instrumentos e isso acontece pois há mais espaço no campo estéreo para o volume.
Quando a música possue muitos instrumentos podemos colocar alguns num volume bem baixo apenas para preencher espaço, ou ainda em arranjos. Não se preocupe, pois na hora do máster, com certeza eles serão ouvidos!

Não sabe a posição (pan) dos instrumentos? Um velho truque da escola dos estúdios caseiros!
Aqui já postei muito sobre posicionamento (pan) dos instrumentos, mas para aqueles que ainda não conseguem acertar o mesmo eis um truque: voz no meio, instrumentos graves para esquerda, instrumentos agudos para direita. E como perceber se isso funciona? Pegue qualquer música bem masterizada, coloque o pan para esquerda e você irá perceber que os graves estão lá, coloque ele para direita e perceba que os agudos estão lá também, porém a voz sempre permanece igual nos dois lados!

Fazendo a masterização
Após você ter separado a pistas, você deve colocar no máster uns plugins ou apenas um plugin (no caso se for de máster como Ozone 4 ou T-racks 3) para fazer as seguintes etapas:


A) Equalização

O nosso ouvido escuta muito bem entre 1 – 8 khz e antes ou após disso, é necessário usar uns truques para ouvir as demais freqüências. Na masterização, o que temos que fazer é dar “low end” e “high end”, como na figura abaixo:





Esse tipo de equalização é muito comum em presets para função de masterização, porém se a mixagem não estiver bem ajustada, ao invés de som, você vai só acrescentar “fadiga” por isso tenha cuidado pois fazendo você vai subir todas as freqüências até mesmo as graves!Muitas vezes você precisa só de um ajuste cirúrgico, ou seja fazer um ajuste de uma oitava, e ficar varrendo o som até encontrar o ponto certo, como a figura abaixo:





B)Compressão

Quando falamos em compressão “pura” ou “vintage”, é quando pegamos um compressor e geralmente colocamos o ratio/threshold em 6:4, o attack em 20 ms, o release em 269 ms (depende muito do seu ouvido, ou do tempo (bmp) da música) e output em – 0.2 dB. Alguns preferem “deixar” alto valendo, nesse caso o release fica num valor “bem baixo” (nesse caso enquadra a onda), porém outros preferem aumentar o input (se o compressor tiver a função) ou ratio, para aumentar o release, deixando a música com uma sensação de pulsação, como se fosse um sidechain. Porém na compressão existe outros plugins que podem auxiliar a mesma:

Ganhos Harmônicos (harmonic gain)
Plugins com essa funções, fazem com que os harmônicos dos instrumentos realcem. Porém para isso, eles deverão estar bem gravados, equalizados e mixados, pois se por acaso sua pista estiver com ruídos elétricos, possivelmente eles virão a tona! Se caso você ouvir que som ficou pior do que melhor, é possível que há ruídos elétricos, e daí nem é bom usar essa opção.

Simulação de Vávula (tube warm)
A simulação de válvula ou tube warm, tenta “imitar” o som quente de uma vávula. Porém nem todo plugin consegue fazer isso, e ao invés de melhorar o som ele pode é piorar. O que vale aqui é testar, se melhorar muito bom! Senão, deixe pra lá.

Compressor multi banda (multiband)
O compressor multibanda pega as freqüências de uma determinada área e a comprimi sem distorcer o som. Ele é muito bom para “isolar” um freqüência que não conseguimos fazer usando o equalizador e muitas vezes, até substituir o mesmo.

C)Stereo Enhancer
Esse plugin colocará nosso som dentro do campo estéreo.
A maioria dos produtores prefere usar tudo centralizado, como se o campo estéreo fosse um círculo:
Isso você só poderá ver com um plugin de stereo analyser, porém ele pode ser “sentido” também. Quando o que você posicionou para esquerda está realmente na esquerda e o que você colocou na direita está realmente na direita, o som está certos. Você também pode fazer uns estéreos radicais de pan de 100% para ambos lados, porém isso é melhor com arranjos, para o mesmo não sair fora de fase. O som pode ser centralizado logo na mixagem, desde que forme uma figura totalmente estéreo, porém na masterização você pode colocar um plugin de stereo enchancher para reforçar o campo e corrigir imperfeições. Assim como o compressor e o limiter serve para não estourar o som, esse plugin serve para o som não sair do eixo estéreo.

Plugins VST, DX ou RTAS?
Os plugins DX tem menos qualidade que os VST, porém são mais leves!
O VST ainda é a melhor de qualidade de som porém pode ficar pesado quando usado em corrente.
O VST em relação ao RTAS (que exclusivo do Pro Tools) é mais pesado, pois o RTAS trabalha com a rota do equipamento instalado na DAW e o VST com o processo do computador. Porém muitas vezes nada disso importa. Plugins em cadeia do mesmo fabricante é que fazem a diferença no som! Quando fazemos isso, temos certeza que ele está trabalhando como o mesmo processo matemático. Se colocarmos um plugin de um outro fabricante, talvez na hora o som fique legal, mas quando juntamos esse plugin ao som, o mesmo pode mudar!Aqui o certo é sempre testar e ouvir.

Até aí beleza? Na próxima postagem mostrarei como fazer a masterização!

Abraços!

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