terça-feira, 6 de abril de 2010

Masterização: não aceite apenas uma mixagem final


Muita gente teme as críticas e mesmo as quem dizem que elas são saudáveis (como eu por exemplo) morremos de medo porque é difícil ver o seu trabalho no chão. Porém para comercializar um CD ou DVD devemos ouvir as críticas, principalmente quando se diz a respeito da mixagem e masterização. Quando alguém me pede para ouvir uma música eu peço que se querem que ouça como a análise de alguém não conhece música (um ouvinte comum) ou uma análise crítica (técnica). Pra começar, um trabalho comercial não é um trabalho comum, é uma coisa que irá rodar o mercado isso serve para o amador ao profissional por isso ele precisa soar bem para as pessoas e um monte de bandas e cantores famosos perderam tudo ao lançar um trabalho mal mixado e masterizado! Estou comentando isso porque apesar de os técnicos de estúdio e produtores tentarem achar a melhor mixagem do para seu som cabe a você a palavra final pois não há como saber como o som se passa em sua cabeça. Como a maioria de nós não tem acesso a grandes estúdios olhe na capa de um CD de um "Grande Artista" onde ele foi gravado, masterizado e mixado, geralmente é um estúdio diferente para cada etapa ou por produtores diferente e isso porque nosso ouvido sempre muda de um dia para o outro.
Vou citar como exemplo um amigo meu grande compositor e cantor de MPB.
Ele gravou uma música e gastou um bom dinheiro por ela, mas não gostou do resultado final e me pediu para analisar e o que eu achei:
Como ouvinte,gostei muito do som está agradável, com muito swing e aberto e se entende a idéia do que ele passa na música se ouve muito bem a dicção do cantor.
Fazendo uma análise crítica posso dizer que:
Gostei muito do loop inicial dá a sensação de algo diferente, não há excesso de instrumentos o que daria pra fazer a música soar “um pouco mais alta”, as guitarras foram bem gravadas com timbre limpo muito legal, a bateria parece ser sample ou VSTi não soa natural quase não se houve o xipo (mesmo numa caixa de computador) e os pratos estouram, indicando um possível “excesso de compressão” e parece que os tons não estão separados por canal. O Piano Rhodes poderia ser ser aberto (um equalizador paramétrico High Self resolveria), o baixo é muito bom segue o esquema de "um kick e duas notas no baixo" porém e assim como o bumbo não está soando em caixas pequenas (falta de aumento em 5K), a caixa acompanha a voz mas está “abafada” precisaria de um reverb fraco pra dar a sensação de “pancada” e um ganho perto de 230Hz para abrir a mesma.
Meu amigo se queixa de falta de voz, realmente, a voz foi jogada para trás (possivelmente deve ter um reverb small) e por isso não soa “estéreo” e sim como um “mono bem gravado” (muitos estúdios estão com essa mania de querer colocar efeito na voz daí não soa como gravação e sim algo ao vivo). Tem efeitos de delay em frases marcantes porém a voz foi gravada por “parte” mas pelo jeito não houve nenhum “render” (junção de todas as vozes com compressão) pois em muitas partes ela está soando alta e outras baixas e esse um dos principais fatores que muitos produtores preferem gravar “vária vozes” com partes inteiras e escolher as melhores. Também notei que muitos pontos de “respiração” estão fortes demais, o que caracteriza falta de noise gate com pelo menos -30 Db de threshold. Achei que a guitarra está atrapalhando a voz, e nem por causa do volume e sim que há freqüência conflitando com a mesma. Para resolver isso, um "low self" partindo de 25o K com menos -1DB seria ótimo.
Com analisador de espectro, notei que quase não há ganhos de graves entre 20 e 60HZ e isso é bom pois a música está soando sem exageros dos mesmos ficando a critério do ouvinte colocar "sub bass" no seu aparelho de som, mas há uma falta de “freqüências medianas” de pelo menos +1DB que poderia ser resolvida com um “High Self” partindo de 250 Hz a 2.5K. Em 5K com um “notch arrow” (flecha) conseguir fazer o baixo e o kick sair em caixas pequenas sem maiores alterações nas outras freqüências.
Esse seria meu ponto de vista, já comentei com ele para mandar para o produtor Dennis Zanicoff para pegar uma segunda opinião e mais experiente e confesso que minhas análises são sempre incentivadoras, para as “pessoas não desistirem de suas músicas” .
Mas quando eu gravo faço todo mundo escutar, desde os profissionais até gente que não entende nada de música para saber sua opinião. Alguns agrado e outros não e acho que meu maior pecado em certas músicas é dar muito ganho entre 500 k e 5k que é justamente a área do nosso ouvido ouve mais. Ainda vou fazer uma nova postagem sobre masterização mas assim que tiver mais estudo e informação. Um conselho eu dou pra vocês: peçam no mínimo 5 mixagem diferentes, pois o que se houve no monitor do estúdio (principalmente aqueles teimosos que insiste em usar seu aparelho 3 em 1 como retorno) pode soar diferentes em outros locais e sempre escute primeiro baixo, vá escutando o que falta no espaço estéreo. Um conselho bem útil e muito comentado: use sempre uma música bem gravada e mixada do seu estilo como referência!

Abraços!

Um comentário:

  1. Boas informações aqui.
    Gostei muito dos detalhes que falam de ganho e conflitos entre os instrumentos.
    Parabéns pela iniciativa.

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