quarta-feira, 25 de maio de 2016

Coluna do Anicio: Entre a Cigarra e a Formiga

Nota: com o fim do "Curto +Música" as postagens do Anício serão feitas aqui. Muitas vezes não se trata de gravação e sim de toques pessoais! Boa leitura!!!

Olá pessoas!!!
Todo mundo conhece aquela história da Formiga e da Cigarra e como estamos na internet nem vou contar ela, basta você ver esse clássico da Disney contando a fábula.




A moral da história é essa: quem trabalha não passa fome, quem não quer saber de nada passa necessidade mais lógico impossível. Só que se tratando de música hoje em dia a maioria das pessoas ainda acham que uma profissão divertida e sem quase nenhum trabalho e isso eu ouço há anos!
E é isso mesmo que viver de música aparenta: você sempre ser uma cigarra, enquanto aquele seu amigo "músico" vive na farra e ainda ganhando dinheiro!
Pode até ser mas o que não te contam é quem faz isso geralmente é quando se é mais novo na música ou já é famoso! Pois afinal, fazer festa todo mundo faz, complicado é ganhar dinheiro (com lucro) com a mesma! Tenho 41 anos e trabalho com música há 24 anos. Seja com banda, tocando em bar, dando aulas ou trabalhando como sideman.


Ou seja como tenho família nem mais cigarra sou e sim uma formiga mas com uma diferença:
amo muito o que faço! Se bem que a postagem não é sobre isso e sim sobre alguns
mimimi (como dizem) que anda acontecendo hoje em dia na música.
A coisa mais difícil desse meio é se manter financeiramente principalmente quando você não tem sucesso ou nada que te apoie pois as contas vão chegando e você
O que pensam dos músicos
não tem como não deixar de paga-las. Os músicos (amadores, profissionais, famosos ou não) seguem a mesma rotina vou dar por exemplo a minha:
Dou aula de segunda a sábado e de quinta a domingo tento tocar em algum local. Seja com uma banda numa formatura, com minha esposa num restaurante ou como músico de apoio de alguém. É uma profissão como qualquer outra é quase sempre a mesma rotina mas o pior problema que a maioria enfrenta é a garantia de nada e a maioria tem segundo emprego por causa disso.

O músico antigamente tinha a OMB Ordens dos Músicos do Brasil que teoricamente seria igual a OAB mas a OMB nunca funcionou direito o máximo que ela funcionava era a "trancos e barrancos" nas capitais ou cidades maiores. A OMB teoricamente era o equilibrio entre quem ganhava a vida com música e quem fazia "bico" com a mesma. Na teoria seu funcionamento seria o ideal para todos os músicos mas como sempre no Brasil nunca funcionou.
Quem funcionou ou ainda pode estar funcionado era a Associações de Músicos ou Sindicatos Musicais que além de trazer os benefícios da OMB também garantia aos músicos uma segurança pois na cidade onde os mesmos funcionavam, pois havia uma espécie de "tabela" ou "valor mínimo" para caches de apresentação. Não sei quais desses sindicatos ainda podem estar funcionando, mas aqui na nossa cidade não existe mais.
Eu tinha banda lá em 1994 aquelas primeiras "experiências" em conjunto que todo músico tem.
Eu me lembro que a gente ficava revoltado com a fiscalização dura do Sindicato e da OMB.
Onde você ia a mesma coisa: vocês tem carteira de músico? e claro que não tinhamos pois não era uma coisa que se conseguia de graça então o jeito foi fica retido por um tempo nas festas
da escola (ou outras como a junina) e as festas entre amigos até que conseguimos tirar a carteira e entra no "circuito" dos bares.
A medida que crescíamos nesse mundo das apresentações começamos a dar mais valor a isso pois
havia uma segurança em fechar contratos por um valor no mínimo e justo.
Até que um dia tudo acabou. Isso porque ninguém nunca levou o músico a sério e principalmente depois de um edital que você pode ver  aqui nessa postagem. Quando me pergunto se eu era a favor ou não da OMB eu fico sempre em cima do muro. Primeiro porque realmente era pra ser uma coisa boa e isso poderia ter dado inúmeras oportunidades para os músicos mas também a gente sabe que no Brasil tudo onde há estado parece que não funciona direito.
Semana passada houve um certo agito por causa da Extinção do Ministério da Cultura e depois nesta segunda (23 de maio) retomaram o mesmo.
Em conversa com muitos músicos o que os mesmos dizem é o que muitos músicos mais conhecidos dizem ou seja whaterver ou seja tanto faz isso não porque são contra o ministério e sim porque não conheço ninguém que tenha recibido
algo do mesmo. Muitos amigos envolvidos em artes já tentaram obter algo pela tal da Lei Rouanet e quem levou "não" nunca teve resposta do pedido, pois sempre faltava algo.
Por isso quem trabalha com música nunca será uma cigarra e sim no máximo uma formiga voadora porque você precisa ir atrás, precisa conseguir seu espaço, precisa mostrar que tem "algo mais" no meio de tantos.
Vai por isso os músicos mais fantásticos estão em outras profissões. Muito deles já tentaram ser "cigarras" e praticamente "tocaram a luz" mas se queimaram.
Quando isso acontece você perde as asas e os sonhos e vira uma formiga comum . Conheço muitos assim parecem uma "casca por dentro" parecem que não tem mais alma naquele, são pessoas amarguradas envelhecendo a cada dia que olham para seu instrumento e ficam relembrando quando podiam voar.
Essa parte da "cigarra que perdeu as asas" vou dedicar ao dono desse blog, que por sinal tinha uma banda que fez até uma música com tema.



É amigo, ninguém disse que a vida de músico era fácil....

Abraço a todos!!!

Postado por Anício de Oliveira Músico Profissional desde 1995
Músico, Professor, Sideman e "filosofo" nas horas vagas!
O roqueiro mais amante da MPB!
contato:anicioguitarra@gmail.com

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