terça-feira, 21 de abril de 2015

Mixagem: você conhece os efeitos que as músicas gravadas em estúdio usam?

Em muitas música o que pode chamar a atenção pode ser algo bem simples. Uma introdução, um arranjo ou um solo pode fazer muitas vezes faz mais sucesso que a música em si.
Em vários estilos de músicas muitas vezes algo que o público acha genial, não passa de efeitos antigos colocados de maneira diferente, foi o caso do Van Halen no início dos anos 80 (Ed Van Halen usava toneladas de phaser em sua guitarras, algo que os guitarristas da epóca achavam brega e só os de funky usavam) e recentemente no caso dos DJ Franceses do Daft Punk (que usam vocoders em seus vocais, algo que banda alemã Kraftwerk fez nos ano 80).
Portanto para quem está começando a gravar ou pra quem já tem experiência é sempre bom recordar como funciona 12 efeitos de instrumento, voz e mixagem da música "pop" moderna:

http://www.chocolatecitygroup.com/wp-content/uploads/2013/08/recording-studio-mixer-and-microphone-625x300-c.jpg


Algumas coisas antes de começar

Mascaramento Acústico
Imagine você conversando com uma gata numa balada em frente a caixa de som. Você fala praticamente "gritando" e ela quase não entende nada. Isso acontece porque o som da caixa é muito mais forte que o som da sua voz e na mente da garota ela não conseguir destingir "você falando" porque seu ouvido irá prestar atenção no que está mais alto e o que faz com que o som embole ou seja no fim ela não escuta mais nem o som ambiente nem você, tudo que resta é apenas barulho.
Mascaramento acústico é praticamente isso: quando um som soa mais alto que todo o resto, porém ao invés de se destacar ele "embola" a mixagem. Geralmente isso acontece por três motivos: falta de pan (balancear os instrumentos nos canais esquerdo/direito), falta de força de volume dos instrumentos (ganho de entrada na hora de gravar muito baixo), gravação de má qualidade e principalmente erro na hora de "equalizar" as pistas.

Diferenças entre o ganho e o volume e PAN
Ganho também é volume? Não!
Volume é o som si, se ele naturalmente está soando alto ou baixo, fraco ou forte. Pense na sua voz, você pode controlar o volume da mesma, porém o seu som máximo, não irá alterar suas características. O ganho é justamente o que vem "depois" do volume máximo, por isso, quanto mais ganho o som tende a saturar, quanto menos a limpar. Normalmente aparelhos de som, equipamentos e plugins possuem as duas funções. O Volume de entrada é seria o som natural enquanto o volume de saída é som "máximo" natural e mais o complemento do ganho (teoricamente o ganho pega o som natural e o dobra).
O PAN ou "Panorama" é o nome que se dá a distribuição do som em cada canal estéreo (esquerdo/direito) ou para cada canal 5.1 (surround).

Som comercial
Todas vez que você lê num site, vídeo, fórum as pessoas comentando sobre "volume igual a Som Comercial" não estão se referindo ao "som da moda" e sim ao volume da música quando tocada em qualquer lugar. Uma boa mixagem e masterização tem que fazer com que a música seja ouvida igualmente (ou bem próximo) num aparelho de som, num carro, no computador, num celular ou em qualquer outra fonte sonora sempre com a mesma intensidade. Porém todo "Som Comercial" precisa seguir uma série de critérios que vai desde a mixagem até a produção e o correto é sempre copiá-los não importa qual for seu estilo musical.

O problema de se usar muitos efeitos em uma música
Você pode usar muitos efeitos numa pista, porém quanto mais, mais dosado ele tem que ser.
Muita gente gosta de ser purista e usar pouca coisa, outros gostam de ser tecnológicos e usar bastante coisa. O problema é que após 2 efeitos por vez numa pista, um deles se estiver sem relação com outro pode cobrir e o invés de sair o som do instrumento, sai somente o "rastro" do efeito. Por isso quanto mais efeitos, mais correta deve ser a dosagem.
Pense nisso como um remédio: se você errar a dose pode acabar se matando!

Os 12 Efeitos
Aqui vou citar 12 efeitos normalmente usados. Lembro que muitos efeitos destes se variam da mistura de dois ou três tipos.
Os efeitos mais "primários" (aqueles que gente consegue naturalmente) seriam reverb, delay (echo) e distorção.
Os vídeos abaixo são de plugins, embora todos também tenham em forma de periféricos.
Os nomes também podem variar, mas no final o que vale é o que ele faz.

1.Equalização (paramétrico, linear, gráfico e fixo)
Assim como a compressão e o reverb, a equalização é também um item obrigatório na mixagem.
a mixagem é definida pela equalização pois é com ela que resolvemos os conflitos do "mascaramento acústico".
Como funciona?
Basicamente a equalização nada mais é que um tipo de ganho, ou seja, quanto mais você pode distorcer o som e quanto menos você pode deixar o mesmo mais seco.
Se você tem um aparelho de som em casa, um amplificador de guitarra, um multiuso ou uma mesa de som, irá ver que neles a 3 botões: low (grave), mid (médios) e high (agudos) e você pegar qualquer um deles para e girar para o sentido horário você dá uma "encorpada" no som e se girar para o "anti horário" o som se torna mais fraco.
A equalização praticamente é isso: dar um ganho/reduzir a frequência que é selecionada.
As frequências geralmente são (aproximadas) de 30 a 80 Hz graves, 84 a 120 Hz médio graves, 200 Hz a 1.2 kHz médias, 1.5 a 6 kHz agudas e de 8 a 12 kHz agudíssimas. Porém ainda temos de 20 a 30 Hz sub-graves e de 18 a 26 kHz chamado de "ar" que são responsáveis pelas definições de graves e agudos numa música e só podem ser ouvidas em monitores de áudio profissionais e sistemas surrounds.
 
Os tipos
Equalizador Fixo (Fixed EQ): é o mais comum. É um equalizador paramétrico em "Notch" ou seja ele apenas "sobe e desce" as frequências que já estão prontas no periférico ou plugin. É o equalizador padrão presente em aparelhos de som, amplificadores, mesa de som e multiuso. Não possue um nome técnico específico, "Fixed EQ" pra mim foi o melhor termo que achei.

Equalizador Paramétrico (Parametric EQ): é o mais usado nas mixagens porque é o mais simples e complexo de trabalhar.
Os chamados "crossover" não passam de um tipo desse equalizador (porém trabalhando com controles fixos).
Sua função varia muito para periférico/plugin, porém as funções padrão permanecem as mesmas. Geralmente os cortes/ganho são "Low Self" (corte grave), "Bell" (forma de sino), "Notch" (ganho) e "High Self" (corte agudo).







Equalizador Gráfico (Graphic EQ): depois do fixo é o mais comum, presente em aparelhos de som e imagem (DVD/Blue Ray), TV, playes de computador (Winamp, Windows Media Player), som de carro e até nos ajustes da placa de som do computador.
Sua características é poder "desenhar" a forma da onda e não é muito aconselhável para mixagem, porque dependendo o equalizador ele cortar ou dar ganho em "muitas" frequências ao seu redor e por isso é melhor somente para ajustar a música depois de pronta.
Porém não é uma regra a ser seguida a risca, visto que em matéria de mixagem os próprios engenheiros de som falam que não há regras,se ficar audível (o som comercial), bem equilibrado e bem ajustado, está valendo.







2.Compressão, multibanda e "Harmonic Enhancer"
Compressão é o plugin/pariférico mais usado depois do equalizador e do reverb. Ela faz com que o som fique na "cara" e com mais presença, portanto um item obrigatório na mixagem caso você queira que som fique mais "Comercial".
Como funciona?
O compressor trabalha com vários tipos de funções dependendo o aparelho ou o plugin. Mas na teoria ele pega a entrada do som natural (IN) e faz com que ela saia acima do seu limite (Thereshold) na saída final (OUT). Existe duas funções principais chamadas de Attack (ataque) que controle o tempo de attack (ataque)do Thereshold (quanto mais, mais alto) e a outra é o Release (soltura) que quanto menos mais alto soa o som e quanto mais, mais suave o som.
Porém lembre-se de uma coisa: o compressor não passa de um tipo de distorção, por isso quanto mais compressão mais o som ficara "achatado" e deformado.


Os tipos
Compressor Multibanda:
Ao invés de trabalhar apenas com uma frequência (a soma total das mesmas) se divide em 4 bandas atingindo o grave, médio graves, médios e agudos (embora você possa regular onde as 4 bandas vão atuar).Bastante usado para resolver "conflitos" quando o equalizador não resolve.



Harmonic Enhancer
Ou traduzindo "Reforçador de Harmônicos" é um compressor que trabalha somente nas "Frequências Harmônicas" que são responsáveis pelo brilho e a presença dos instrumentos, porém é necessário seguir uma tabela como essa (onde mostra os harmônicos) para o mesmo funcionar corretamente.
Esse é um tipo de compressor que trás para cima/ou para baixo somente as frequências harmônicas (geralmente é que define o som e fica em torno de 200 - 400 Hz, também conhecida como "Tiny Box") e quase sempre é uma boa alternativa para aquele som que anda "apagado". Porém tem um grave "efeito colateral": se não for bem regulado, eleva os médios a alturas que ninguém suporta ouvir.

.

4.Reverb e Delay
Por que considerar esses os dois mais importantes efeitos da música?
Não somente por serem os primeiros mas também pelo fato que você pode reproduzir ambos de forma natural.
Por exemplo, existem teatros e estúdios de gravação já projetados para criar um "reverb natural" (sem precisar adicionar o efeito depois) sem contar o fato de qualquer sala que onde você "fala" e som amplia por ela já é um reverb natural.
Já o Delay naturalmente é o "eco", ou seja, aquela história de subir num morro e gritar e ouvir sua voz sendo repetida várias vezes.
Porém o delay apareceu oficialmente, quando surgiu a TV e o toca fitas. Se você falar com uma pessoa ao vivo na tv e ela deixar tv ligada, o apresentador irá ouvir o som da sua tv no canal dele, como aconteceu na clássica entrevista do "Sanduíche".
O delay de fita ou "Tape Echo" surgiu quando sem querer numa edição, um engenheiro de som "segurou" o cabeçote da fita pra cima, fazendo o som atrasar. Daí fizeram o som guitarra passar pelo Toca fitas com o cabeçote segurado e nasceu o efeito.

O delay analógico é o efeito formado apenas por componentes eletrônicos, já o digital usa um "chip" para controlar o efeito.
O reveb de mola é mais conhecido nos amplificadores de guitarra e nada mais é do que fazer o som "vibrar" dentro de uma mola bem esticada.
Em matéria de plugin, alguns procuram imitar o som natural e outros os digitais.
Reverb:


Delay:

5.Distorção
Não imposta o estilo ou o ritmo, mesmo em um som que você considera limpo a distorção está presente. Em muitos casos você nem percebe porque distorção não é só "da guitarra rock roll" também pode ser usada para dar brilho na voz ou aumentar um volume numa mixagem.
Como funciona? O termo "drive" se refere ao som original "aumentado a até estourar" ou seja, passar de sua capacidade de ganho. Se o som máximo é 100%, com a distorção ele passará atingir 200%! E claro que com essa potência toda o som natural ganha mais "peso e massa" fazendo que o mesmo "se dobre" em torno de si mesmo. É por isso que em muitos plugins você encontra uma função chamada "warm" (quente) que aumenta o valor do som. Na verdade o som não é aumentado, é apenas acrescentada uma "distorção dos harmônicos" em volta dele.
A distorção a válvula faz o som distorcer "dentro" da válvula (quanto mais, mais ele se torna incandescente) e o som satura conforme a quantia de estágio que o aparelho possuem.
Já a distorção de transistores é dependente da programação de seus circuitos e caso ela seja "demais" o som tem a tendência a embolar (o que não acontece com a válvula que expande som).
Plugins procuram imitar ambas as distorções e o brilho ou saturação da mesma depende muito da placa de som que estiver usando.

Os tipos
Os tipos de distorções mais comuns usado numa mixagem são as da guitarras (distortion, overdrive, fuzz), dos sintetizadores e plugins baseados em aparelhos valvulados (como compressores).

Distorção de Guitarra
Distorção a

válvula
Essa distorção pode ser encontrado nos estágios dos amplificadores, compressores, mini amplificadores, mesas de som e potências.


6.Chorus, Flanger e Phaser
Estes 3 efeitos são chamados de "moduladores" pelo fato de usarem "formas" de ondas sonoras para conseguir os efeitos.
Por isso é comum você encontrar num equipamento ou plugin a função "modulation" e dentro dela está esses efeitos.
São comuns a todos instrumentos e bastante usados na voz para fazer camadas ou dar um destaque a uma parte.
A diferença entre eles está justamente no formato de onda que eles fazem.
O Chorus faz modula o som fazendo o mesmo ir até 90º, Flanger faz o som ir até 180º (por isso alguns preferem usar ele ao invés do chorus); e o Phaser faz ir até 360º.
  3 coisas sobre os mesmos:

1)Todos tem como origem num efeito mais simples chamado "Trêmulo"
2)O trêmulo também originou o "ring modulator" e o "octave" (que imita a próxima oitava) e vibrato.
3)Todos os efeitos de modulação usados em excesso embolam o som e os demais instrumentos numa gravação.



7.Pitch Shift,Autotune e Harmonist
Nos anos 80 as gravadoras procuravam formas que "corrigir" as afinações vocais e dar mais "intensidade" a voz.
Primeiramente surgiu o "Pitch Shift" que desloca o som do formato original, porém deslocando seu espaço em semitons.Pitch Shift Por exemplo, se você canta ou toca em Dó, e coloca o "Pitch" em Ré, você continua cantando/tocando em dó, porém na gravação sai em ré.
Isso pode ser feito com 12 semitons acima ou 12 semitons abaixo. A primeira forma (ainda muito usado) de corrigir um vocal já gravado foi colocar o "original" no centro, na esquerda com -12 e na direita com +12 e mesclar no vocal.
O Pitch Shift nos instrumentos MIDI (como teclados, guitarra com captador midi, DAW)funciona sem nenhum problema, porém na voz, guitarra, violão ou outros instrumentos tende a criar um "flaging" (um flanger fora de fase).
O Autotune na verdade é um "pitch" que analisa, detecta e procura corrigir imperfeições nas afinações que ocorrem fora do tom porém isso quando está no modo "automático". Geralmente ele é usado com alguém tocando teclado junto com a melodia da original música e então ao invés de sair o som do teclado sai a voz corrigida.
O "Harmonist" é um "pitch" que toca os "semitons" selecionados de uma vez só, por isso geralmente o padrão dos equipamentos ou plugin é tocar apenas 3/4 notas além da principal ao mesmo tempo, formando a harmonia da mesma. Por exemplo:
você toca um "dó" no teclado. Se usar o "harmonist" ele irá tocar todo a tríade/acorde de dó que seria
Dó (tônica) - Mi (terceira) - Sol (quinta) e dó (oitavado) e fará a mesma coisa nas notas que você tocar. No vocal ele fará o acompanhamento da voz.
O problema é que esses efeitos não corrigem 100% a voz. Se o cantor não cantar pelo menos no tom tudo irá soar bem bizarro.


8.Vocoder
Vocoder na verdade é um "sintetizador" com uma programação de filtros LFO que "canta" o que você fala. Parecido com o Autotune, porém em tempo real, ele captura a voz por um microfone e reproduz a medida que a pessoa fala ou canta, como nas músicas do Daft Punk no álbum "Random Acess Memories". Possue versões em plugin também.


9.Sidechain
Sidechain é um tipo de compressão só que ao invés de comprimir, ela imita o ritmo da pista que você programa, fazendo uma "corrente" na mesma.
A forma mais comum disso é o Kick (bumbo) na música eletrônica (geralmente se pega um efeito como Pad, Lead ou Strigs) e faz com que um som que é longo, ao imitar as "batidas" do bumbo, dance literalmente. Porém ele pode ser usado em quase tudo, inclusive para coordenar a voz do vocalista com a guitarra rítimica, assim se o cantor sair fora do tempo, o side chain o coloca de volta.


10.Modificadores de Ondas (LFO)
São modulações que sugiram quando inventaram os primeiros "sintetizadores".Uma corrente elétrica e possuem três formas básicas de "ondas de eletricidade". A primeira seria a "curva" ou "Senoidal" (formato de "S"), a segunda em Square (forma quadrada) e a terceira em forma de "Serra" a "Onda Triangular". Cada uma delas fazem uma diferente função numa rede elétrica, porém usando elas para "gerar" o som se conseguiu a maioria dos efeitos conhecidos hoje nos sintetizadores e catalogados no padrão MIDI.
Não se trata de algo natural e sim da fusão da "ciência e física" para forma sons.
Essa é origem da "música eletrônica" e também da "gravação digital".



11.Stereo Enhancer
Esse efeito é a "cola" de toda mixagem. Embora muitos digam que a cola é o compressor/limiter, não adianta nada compressar bem sem tudo estar no lugar no campo estéreo, porém esse é um dos plugins mais complicados de trabalhar, porque se o compressor/limiter é a soma do volume de todos os sons o Stereo Enhancer (incrementador de estereo) é a soma de som no todo campo estéreo.
É muito útil em pistas separadas também. Muitas vezes aquela pista que ficou "fora de fase" pode ser arrumada com ele.



12.Analisadores de espectro (Analyser Spectrum)
Analisadores não são efeitos mas são tão importantes como os mesmos.
Um equipamento ou plugin com essa função tem como sua característica principal analisar o comportamento de uma pista ou de toda mixagem no campo estéreo fazendo com vejamos o ocorre com as ondas sonoras. Juntamente com uma "tabela de frequência" de confiança se torna um item importante numa gravação ou mixagem.



Ótimas Gravações!!!

Nenhum comentário: